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COMO CRITICAR CINEMA?

Antes de mais nada, quando se fala em crítica de cinema, seja para quem lê ou para quem a escreve, deve-se lembrar um dado importante mas ás vezes ignorado: cinema é uma questão de gosto, assim como o são a música, a pintura, a literatura ou mesmo ( principalmente, com certeza ) a culinária. O que é bom para uma pessoa pode ser horrível para outra. Assim, tomem-se as duas posições distintas: a de quem lê e a de quem escreve.

Qualquer pessoa que leia uma crítica de cinema não deve nunca orientar-se unicamente pelo que acaba de ler. Deve, sim, formar suas próprias opiniões. Sua posição, normalmente, é a de um leigo - seja no assunto ou no objeto da crítica em questão. O que nos leva à questão principal: qual a função do crítico de cinema?

Coloque um crítico que não gosta de terror para comentar um filme de Wes Craven e com certeza a crítica não será das mais otimistas. Por outro lado, um crítico que gosta do cinema de terror vai saber avaliar o filme com mais carinho e consideração. A questão de gosto, por mais que alguns críticos venham a dizer que não influi - ponto de vista profissional defendido por muitos, mas praticado por poucos - sempre vai influir decisivamente. Críticos intelectuais que admirem Godard verão filmes comerciais com cara fechada e, na maioria das vezes, entrarão no cinema com um ponto de vista já pré-estabelecido. Se esse crítico for avaliar esse filme comercial procurando encontrar o que encontra num filme de Godard sairá extremamente decepcionado. Entramos em outra questão agora: cada filme objetiva oferecer ao espectador uma determinada sensação. Assim, por mais que alguns fatores, como o roteiro, a interpretação e a qualidade na realização sejam avaliações comuns a todos, deve-se sempre considerar que um filme comercial objetiva entretenimento. Não espere encontrar em Godard entretenimento fácil. Por isso, ás vezes é irritante ver aquele grande entendido de cinema criticando o fato daquele filme feito para entreter o público não ir mais longe psicologicamente. Jean Tulard, autor do célebre Dicionário de Cinema - Os Diretores, criticou John Landis, dizendo que ele quis ressucitar o lobisomem com Um Lobisomem Americano em Londres, mas que faltou seriedade ao filme. Ora, descaradamente o filme de Landis explora a união de terror e comédia, o que é justamente o grande ponto alto do filme e sua marca registrada. Tulard espereava seriedade do filme e não souibe entender o que a maioria entendeu ser o objetivo do diretor.

Da mesma forma, o mesmo Tulard disse ser O Dia do Chacal um filme que poderia ser grande mas que foi estragado por Fred Zinneman, quando muitos críticos consideram o thriller um dos grandes filmes da carreira do diretor. Essa diferença de pontos de vista é comum e muitas vezes é influenciada até pelo humor do crítico - leve um crítico da bom humor, sem preocupações, ao cinema, e a opinião dele a respeito de um filme será diferente de quando ele ver esse mesmo filme estando impaciente, de mau humor e com dor de cabeça.

Enfim, a resposta à pergunta que intitula esta apresentação seria: de forma imparcial, entendo o objetivo do filme, analisando sua parte técnica, a inteligência da produção e, sobretudo, sem querer induzir o espectador. Não é digno dizer que um filme é muito ruim e não vale a pena ser visto ( salvo exceções horrorosas, digo, honrosas ). Critique-se, sim, mas que o público tire sua opinião. Cabe ao crítico fornecer ao leigo subsídios para entender sua apreciação, conhecer mais sobre o filme e poder vê-lo munido de informações suficientes para entender o que está vendo na tela. O resto, assim como a diferença entre doce e salgado, é pura questão de gosto.

O que define um clássico?

Clássico da literatura, pintura clássica, clássico do design. Invariavelmente, a designação clássico traz consigo uma aura de importância que diferencia uma obra das demais, por sua evolução, por quem a produziu ou pelo período em que foi produzida. A designação música clássica, por exemplo, faz entender um determinado tipo de música produzida em outra época. Isso não impede, por exemplo, que músicas dos anos 50,60 e mesmo 70 sejam designados clássicos da música. Percebe-se, aí, uma pequena diferença apenas na ordem das palavras: literatura clássica deixa perceber algo mais antigo, enquanto um clássico da literatura pode ser mais recente. O que parece certo é que não existe uma definição mais concisa do termo.

Quando se tenta definir o termo clássico para o cinema, a mais nova das grandes artes, a confusão é maior ainda. Existem os filmes clássicos por terem sido produzidos nos primeiros tempos do cinema, como "O Nascimento de uma Nação", "O Gabinete do Dr. Caligari" e outros, e filmes que obtiveram a alcunha de clássico por sua importância e por sua qualidade. Mas mesmo estes últimos, na concepção do público, são filmes realizados décadas atrás. Não existe um órgão que conceda a um filme o status de clássico. Este vem com a admiração do público e o reconhecimento da crítica - não na época em que foi lançado, mas continuamente, superando o tempo e se impondo.

Um filme clássico não precisa necessariamente ser uma grande obra-prima. Filmes que causaram revolução nas técnicas do cinema não precisam ser obras-primas, mas podem receber a alcunha de clássicos. Filmes que não foram sucesso de público podem ser reconhecidos como tal também.E filmes recentes podem receber também o reconhecimento como clássico. Na verdade, numa nova nomenclatura, que diferencia-o dos demais ( ou tenta fazer ver que, mesmo sem a grandiosidade dos antigos filmes clássicos, pode ser considerado um filme que sobrevive ao tempo ), a de clássico moderno.


Esta seção de Enciclopédia do Cinema Mundial partiu unicamente de nossa escolha de filmes que podem ser considerados como clássicos por sua importância, sua época, seu reconhecimento e sua posição nessa pequena linha do tempo que é a história do cinema em pouco mais de um século de existência. Aqui você encontrará comentários, curiosidades, histórias, opinião da crítica, links, artigos, fotos e arquivos multimídia de dezenas de grandes produções. Acompanhe-nos, saiba mais sobre esses filmes, enriqueça sua cultura cinematográfica, envie-nos sugestões, críticas ou mesmo reclamações acerca de filmes que não estejam nessa lista.